Quando uma mudança tributária acontece, é comum pensar primeiro no departamento fiscal. Mas, no varejo farmacêutico, a consequência pode chegar muito mais longe. Pode chegar ao preço.
Se mudam os tributos, a forma de cálculo, os créditos e o tratamento aplicado aos produtos, a conta utilizada para definir o preço também precisa ser revisitada.
Isso não significa que toda farmácia terá de alterar todos os preços imediatamente.
Significa que a fórmula usada para chegar ao preço precisa acompanhar a nova realidade tributária. E essa discussão já faz parte da transição iniciada em 2026.
A Receita Federal define 2026 como ano de teste do IBS e da CBS, enquanto a transição para o novo modelo continua nos anos seguintes até a vigência integral prevista para 2033.
Por que comparar apenas as alíquotas pode ser um erro?
Imagine que alguém diga: “Hoje pago uma alíquota de X. Amanhã será Y.” Parece simples comparar os dois números.
Mas existe um detalhe importante: a forma como o tributo entra na conta também muda.
Hoje, determinados tributos, como ICMS, PIS e Cofins, seguem uma lógica de cálculo diferente daquela prevista para IBS e CBS.
Na prática, não basta substituir um percentual antigo por um novo dentro da mesma fórmula. A fórmula precisa ser entendida novamente. E isso pode afetar diretamente a formação de preço.
O mesmo percentual não significa necessariamente a mesma conta
Esse é um dos pontos mais importantes para quem trabalha com preço. Duas alíquotas podem ter percentuais diferentes e, ainda assim, a comparação direta não conta toda a história.
Isso acontece porque a base de cálculo e a forma de aplicação do tributo também importam.
Por isso, é preciso perguntar: “Como esse tributo entra na minha formação de preço?”
Essa diferença pode parecer técnica, mas termina em uma decisão muito prática: quanto custa vender esse produto e qual preço sustenta a margem que a farmácia precisa?
E ainda existe o crédito
Outro ponto central da nova lógica é o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia.
O modelo do IVA trabalha com a lógica de créditos entre as etapas da operação, reduzindo a cumulatividade. Para a farmácia, isso adiciona outra variável à conta.
Não basta olhar para o preço de compra. Também é necessário compreender como os créditos entram na operação e como o tratamento tributário de cada produto interfere no cálculo.
Por isso, a formação de preço precisa deixar de ser uma planilha estática. Ela precisa acompanhar as regras que determinam como cada operação é tributada.
Cada produto pode levar uma conta diferente
Agora volte para dentro da farmácia. Na mesma loja, você pode encontrar medicamentos, produtos de higiene, cosméticos, perfumaria e outros itens de consumo.
A legislação prevê tratamentos tributários diferentes para determinadas categorias e produtos.
No caso dos medicamentos, por exemplo, a Lei Complementar nº 214/2025 prevê redução de 60% das alíquotas do IBS e da CBS para medicamentos registrados na Anvisa ou produzidos por farmácias de manipulação, com exceções previstas na própria legislação para itens submetidos à alíquota zero.
Isso significa que a farmácia não pode construir sua formação de preço baseada apenas em uma visão genérica de “varejo”. O tratamento tributário do produto precisa fazer parte da conta.
É aqui que cadastro e preço se encontram
Parece que estamos falando de dois assuntos diferentes. Cadastro de um lado. Preço do outro.
Mas eles estão conectados. Se o produto está classificado incorretamente, a regra aplicada pode estar errada. Se a regra está errada, o cálculo pode ser afetado. Se o cálculo está errado, a formação de preço pode partir de uma informação incorreta.
Por isso, uma das mensagens centrais da Reforma Tributária para a farmácia é: preço não começa no preço.
Começa na qualidade da informação que alimenta a conta.
E isso fica ainda mais complexo com as mudanças na legislação
A Reforma Tributária está sendo implementada em etapas. Ao mesmo tempo, novas regulamentações, atos e documentos técnicos continuam sendo publicados.
A Receita Federal mantém uma página com os principais marcos regulatórios da Reforma, enquanto documentos fiscais eletrônicos também passam por atualizações ao longo da transição.
Ou seja: a formação de preço não pode ser pensada como uma fotografia. Ela precisa acompanhar uma operação que está mudando.
O que a farmácia precisa revisar?
Não existe uma única fórmula que sirva para todas as farmácias. Mas alguns pontos merecem entrar na revisão:
1. Cadastro dos produtos
NCM, classificação e demais informações utilizadas para determinar o tratamento tributário precisam estar corretas e atualizadas.
2. Tratamento tributário
É necessário entender quais produtos possuem tratamentos específicos e quais regras se aplicam a cada operação.
3. Formação de preço
A fórmula atual precisa ser revisada considerando a nova lógica de cálculo, os créditos e os demais componentes da operação.
4. Markup
O markup não pode ser tratado como um percentual desconectado da estrutura de custos e da tributação.
5. Margem
A farmácia precisa acompanhar se a margem planejada continua sendo alcançada depois das mudanças.
6. Sistema
O ERP precisa conseguir transformar as regras atualizadas em informação operacional.
7. Equipe
Quem compra, cadastra, precifica, vende e acompanha o financeiro precisa entender o impacto da mudança sobre sua própria rotina.
A tecnologia entra antes do preço
É aqui que a Reforma Tributária deixa de ser apenas uma discussão fiscal. Uma tecnologia preparada precisa conectar informação, regra e operação.
O Cadastro Inteligente Trier monitora a legislação, analisa as regras por NCM, valida tecnicamente as informações e atualiza os parâmetros utilizados pela operação.
Isso é importante porque o cálculo do preço depende da qualidade da informação que chega até ele. Quanto maior o volume de produtos e regras, mais difícil fica sustentar esse processo manualmente.
Com o Cadastro Inteligente, a farmácia conta com uma estrutura para acompanhar essas mudanças e manter a base tributária atualizada.
A Reforma também muda a rotina de quem define preço
Imagine uma pessoa responsável pelas compras. Ela precisa decidir quanto comprar, por quanto comprar e por quanto vender.
Agora, além das variáveis tradicionais, precisa considerar uma estrutura tributária em transformação, diferentes tratamentos por produto, novas regras de crédito e mudanças na forma de cálculo.
A complexidade aumenta. Mas o papel da tecnologia deve ser justamente o contrário: fazer com que essa complexidade não precise ser administrada manualmente em cada operação.
É nesse ponto que automação e conhecimento especializado passam a trabalhar juntos.

Não espere 2033 para começar a revisar a conta
A transição da Reforma Tributária foi desenhada para acontecer gradualmente. 2026 é o ano de teste. 2027 traz novas mudanças, incluindo a extinção de PIS e Cofins e a entrada da CBS em uma nova etapa. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS passam por uma transição gradual para o IBS. Em 2033, o novo modelo entra integralmente em vigor.
Isso não significa que a farmácia precise resolver todas as etapas hoje. Mas significa que não faz sentido deixar todas as revisões para o fim da transição.
Quanto antes a farmácia entender onde a nova lógica toca sua formação de preço, maior será a capacidade de ajustar processos com calma.
Reforma Tributária é assunto de preço, não apenas de imposto
A Reforma Tributária pode começar em uma lei. Pode passar por uma nota técnica. Pode chegar a um cadastro. Mas, dentro da farmácia, ela também pode terminar em uma pergunta muito concreta:
“Esse preço ainda faz sentido para o meu negócio?”
Para responder, será necessário olhar para muito mais do que uma alíquota. Será preciso conectar cadastro, classificação, crédito, custo, markup, margem, sistema e operação.
E essa conexão precisa começar antes que a mudança apareça na ponta.
Como a Trier ajuda nessa preparação
A Trier trabalha para transformar as mudanças tributárias em informação aplicável à operação farmacêutica.
O Cadastro Inteligente atua na base das informações tributárias, acompanhando a legislação, analisando regras por NCM e mantendo os parâmetros atualizados.
E a preparação também passa por conhecimento.
Na plataforma EAD da Trier, o curso Reforma Tributária para Farmácias apresenta, em oito módulos, os principais conceitos do novo modelo e seus impactos na rotina, passando por IVA, IBS e CBS, créditos, formação de preço, documentos fiscais, apuração assistida e cronograma de implementação.
Entender a Reforma é importante. Estar preparado para aplicá-la na operação é o próximo passo.
Conheça o Cadastro Inteligente e a plataforma EAD da Trier e prepare sua farmácia para cada etapa da Reforma Tributária.