Reforma Tributária nas farmácias: 5 mudanças que impactam a gestão na prática

A Reforma Tributária foi criada com o objetivo de simplificar e unificar a cobrança de tributos sobre o consumo no Brasil. No entanto, junto com essa proposta de simplificação, chegam também mudanças relevantes que impactam diretamente a forma como as empresas operam, especialmente as farmácias. Para as farmácias, isso representa impactos diretos na rotina fiscal, financeira e operacional.

Este conteúdo foi desenvolvido com base no artigo e na análise técnica de Ana Paula Neves Zanela, Coordenadora de Sistemas da Trier Sistemas e especialista em tributação e Reforma Tributária. A proposta aqui é apresentar os principais pontos de forma clara e objetiva, traduzindo o que realmente muda na prática para a gestão das farmácias.

1. Mudanças nos tributos pagos
Com a Reforma Tributária, os tributos que hoje incidem sobre o consumo – PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI – deixarão de existir.

No lugar deles, passam a vigorar novos tributos, criados com o objetivo de simplificar o modelo atual:

· CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal que unifica impostos sobre o consumo no âmbito da União.
· IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): tributo estadual e municipal, com regras padronizadas em todo o país.
· IS (Imposto Seletivo): aplicado sobre produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente.

Essa mudança altera a forma de apuração dos impostos e exige que as farmácias revisem seus processos fiscais, controles internos e sistemas de gestão para garantir conformidade com o novo modelo.

2. Impactos na gestão de preços
Atualmente, os tributos são cobrados de forma “por dentro”, ou seja, já estão embutidos no preço final dos produtos.

Com a Reforma Tributária, os novos tributos passam a ser cobrados “por fora”, aparecendo destacados separadamente do valor do produto.

Isso exigirá das farmácias:

· Revisão da formação de preços;
· Ajustes nos sistemas de faturamento;
· Atenção especial ao período de transição entre os modelos.

Uma gestão de preços bem estruturada será fundamental para manter competitividade e transparência com o consumidor.

3. Mudanças no fluxo financeiro
A implementação do Split Payment representa uma das maiores transformações trazidas pela Reforma Tributária.

Nesse modelo, o recolhimento dos tributos ocorre automaticamente no momento da transação. Ou seja, a parcela referente aos impostos é direcionada diretamente à União, Estados e Municípios, enquanto a farmácia recebe apenas o valor líquido da venda.

Esse novo formato impacta diretamente o fluxo de caixa, exigindo:

· Planejamento financeiro mais preciso;
· Adequações nos processos contábeis;
· Sistemas preparados para lidar com a nova dinâmica de recebimentos.

4. Alterações nos documentos fiscais
Com a Reforma Tributária, os documentos fiscais eletrônicos passam a incorporar os novos tributos: CBS, IBS e IS.

Essas mudanças afetam a autorização e validação fiscal dos documentos, tornando indispensável que os sistemas de gestão das farmácias estejam atualizados e preparados para atender às novas exigências legais.

5. Impactos operacionais e de cadastro
A adaptação ao novo sistema tributário exigirá ajustes operacionais importantes. Um dos principais pontos de atenção será o cadastro de produtos, que deverá conter a vinculação correta dos novos tributos.

Além disso, alguns setores poderão contar com redução de alíquotas, o que demandará uma análise criteriosa dos produtos que poderão se enquadrar nesses benefícios.

Farmácias que investirem em tecnologia e organização de processos sairão na frente nesse novo cenário.

Preparação é a chave para atravessar a mudança
A Reforma Tributária representa uma transformação profunda na forma como as farmácias lidam com tributos, preços, fluxo financeiro e operação.

Contar com sistemas de gestão atualizados e parceiros especializados será essencial para garantir segurança, conformidade e eficiência nesse novo contexto.


Conteúdo baseado no artigo e na análise técnica de Ana Paula Neves Zanela
Coordenadora de Sistemas | Ciências Contábeis | MBA em Direito Tributário
Especialista em Gestão, Tributação & Reforma Tributária